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Red

Tenho evitado ouvir sertanejo. Sabe como é, né? Você mesmo disse que fazia parte da gente e tinha nos levado aonde chegamos. Talvez a solução não seja evitar o sertanejo. Eu me lembro de você quando escuto Jessie J também. Beatles, Aerosmith... Até Avenged Sevenfold, mesmo você detestando rock. É que eu amo rock –e amo você. Quando acabou, eu me perdi. Não soube o que dizer, não soube o que fazer. Mas seria exagero dizer que não sabia pra onde ir, porque eu sabia; mas eu não podia imaginar como seria ir sem você, sem poder te dizer como era lá, como iria ser quando eu descobrisse o que dizer, o que fazer. Pensei em ficar no mesmo lugar. Pensei em voltar pro passado. Pensei em morar nos momentos em que eu sentia você. Pensei em não mudar nada em mim pra que quando você voltasse, eu ainda fosse (sua) a velha versão de mim. Eu pensei em você todos os dias. Até que pensei em como você sempre me dizia que eu era incrível (sem e antes de você) e que podia –e deveria- ser e fazer tudo que eu quisesse. Por mim. Depois de realizar o sonho de te beijar, sentir na pele o medo de te perder, a insegurança de ficar tão longe e o arrepio ao te abraçar, eu descobri que você não me ensinou o que é amar, mas me deu o caminho pra isso. Pra saber que eu existo sem você e, como você dizia, ser o que eu quisesse. Ser livre (por mais que uma parte de mim ainda quisesse ser sua). Um dia eu mandei uma frase que era mais ou menos: “não existe perder, o que é nosso se mantém vivo durante a vida” e você disse “é verdade”. Entendi, depois de um tempo, que o que se mantém viva é a lembrança. Agora eu entendo a Taylor Swift...
Losing him was blue, like I'd never known
Missing him was dark grey, all alone
Forgetting him was like trying to know somebody
You never met

But loving him was red 
E agora eu também sei o que fazer: agradecer pelo bem que me fez. Até quando foi embora...

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